segunda-feira, 1 de março de 2010

My fake plastic love - part I

Ouvir e desfazer
Ler e piscar
Silenciar.

Desfazer
perverter
subverter
a ordem e eu faço e gosto e repito. Erro?

Rompante surdo e a volta à estaca zero.
Ou o volume ao lado, no colchão.
Ou à pelúcia que vela, à mão.
Ou à vertigem de Tereza, mais baixo que o chão.

(Onde estarão meus óculos?)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Tomas, sobre o sono.

"Afirmava a suas amantes: só uma relação isenta de sentimentalismo, em que nenhum dos parceiros se arrogue direitos sobre a vida e a liberdade do outro, pode trazer felicidade para ambos."

momentos depois...

"A convenção não-escrita da amizade erótica implicava que o amor fosse excluído da vida de Tomas. Se ele desrespeitasse essa condição, suas outras amantes se sentiriam imediatamente numa posição inferior e se revoltariam. Sublocou, portanto, um quarto para Tereza e sua pesada mala. Queria cuidar dela, protegê-la, alegrar-se com sua presença, mas não via nenhuma necessidade de mudar seu modo de vida. Assim, não queria que se soubesse que ela dormia em sua casa. O sono compartilhado era o corpo de delito do amor."

ali adiante...

"Tomas pensava: deitar com uma mulher e dormir com ela, eis duas paixões não somente diferentes mas quase contraditórias. O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma série de inumerável de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (este desejo diz respeito a uma só mulher)."

Que jogue a primeira pedra quem não concorde, ao menos em parte, com nosso querido Tomas. Grata.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Quando a pieguice pega, a memória tosse o humor varia a horizontalidade pede pele as perguntas não escracham e as respostas vagam mas somam; quando, ainda, ficar quieto é melhor olhar dormir comove pensar e sorrir acontecem no suspiro do dia todo; quando as pregações queima-sutiã caem por terra os olhos brilham; quando a fome some o que consome é o sono sozinhar é humming void; quando esperar é comum dizer é ter cuidado e ler é mais ainda; quando as frases não terminam o sol entra pela janela as horas passeiam e as palavras extinguem; quando os caminhos voltam as tentativas de humor de sorrir de ver de saber; quando tudo tudo tudo em tão pouco tempo tanto tempo quanto tempo e záz e tal.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Citando e, desta vez, não autocitando.

"Someone to Watch Over You":

"There's a saying old says that love is blind,
Still we're often told, "Seek and ye shall find."


"Rhapsody in Blue":

"Owarasenai natsu dakishimeru no sa
Rhapsody in blue
Yaketa mune ga yureru tabi fueru
La la la la your and my dream!"


"Everybody is Gonna Learn Sometime":

"Change your heart, look around you
Change your heart, it will astound you"




Although, we keep humming: "I need your loving like the sunshine".

domingo, 24 de janeiro de 2010

Cantos Alterados When The Day was Dawning

GRACEJO I . Mímesis – a visão.
Repetição das almofadas, sob o olhar da outra.
Jaz não sei onde o Amor Romântico,
contente-se com as migalhas
do instante eterno.
Sobra a lembrança, os cacos, lacuna (inc).
Palavras esquecidas, sorrisos de olhos brilhantes.
Você passa por corredores que não condizem;
correm os dedos.
MI-ME-SIS
Palavras ditas, ouvidas, compartilhadas,
mas você não fala.
Você agradece, apologiza – e eu minto.
O cabelo, é.
A posição d’outrem, Tat Tvat Asi, isto és tu.
O livro emprestado, o amor emprestado lá.
Aqui reside o que de mais puro.
Você pergunta, mas contem-se.
Tenha-se. Tenha e tenha-se.

GRACEJO II. O Eco da Mão Dupla.
Aqui, você vê os carros de cima;
lá, você viu as nuvens de baixo.
Novamente, contenha-se,
seu lugar é invasão,
não é ‘seu’ – é esse lugar.
A alegria, a brutalidade do sorriso,
a emoção nas mãos.
Mímesis – caminhões disso.
Querer. Apesar d’orgulho.
A liberdade do falavreado,
tocar, enfatizar, migrar.
Convicções belíssimas,
certezas, abstracionismo – tudo.
Você é só emoção, às vezes;
menos cevada, mais alternativos. O problema é o trigo.
Alter-ego – era medo.
Admiração – eu não sabia.
Prazer silente, terceirizando interesses.
O que você fez?
Eu lembro. Eu conforto. Não doi. Constroi. Eu quero – muito.

GRACEJO III. O Nojo.
- O que tu quer dizer com ‘nojo’?
disse Tatiane, a mulher dos olhos d’oceano.
Como eu a ouvia...
Ter com quem. Ter de quem discordar, poder perguntar,
sem frescura.
Nojo da formalidade,
de pôr na fôrma.
Eu nunca fui a primeira.
Eu não isso, eu não aquilo.
Agora, Tatiane, eu não vou m’encaixar.
Não à minha foto, não à minha inscrição.
Eu fico no que passa
entre a rede do Rubem,
eu fico sem estar – definitivamente.
Eu fico naquilo que tu carrega – aí, onipresente.
Obrigada, Tatiane, eu tenho nojo do que é forma.
Eu pertenço ao Concretismo e sou amante do abstrato.
Hermético. É isso.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Citando sem aspas

É.


María Elena used to say that only unfulfilled love can be romantic. Sem aspas, eu não prometo exatidão.

Assim diria alguém, de quem meu irmão recortou:

Há quem justifique assim o relacionamento a três (sem ciúme e com sexo plural):

O três é o número natural que segue o dois e precede o quatro. Esse número tem uma grande importância simbólica de união e equilíbrio, aparecendo na santíssima trindade, nos três poderes (jurídico, executivo, legislativo), em Os Três Mosqueteiros, nas três-marias, etc. Também é conhecido sexualmente como ménage à trois.




Dizia eu que não iria mais teorizar sobre o amor. Forget it.

Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen. Novamente, meu velho querido encanta. Cotejos repetidos, Sabina, como a Mística, traveste-se de Juan. Vicky, mais uma de nós - entre o que pensamos querer, o que temos e o que desejamos lá no inner. "Let's cause a scene" e brilhantismo - obra!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Citando e autocitando-se - deflagrando guerra

Ed Mota disse
que mentir é uma arte.

Roxie Hart cantou
who said that murder is not an Art?

Humor feito o do Pato Donald, Eu digo
parei de teorizar sobre o amor.
Eu vou é fazer arte.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Citando e autocitando-se - o início

eu refaço os meus planos
danço na tessitura dos panos
fico farta disso tudo
tento, atiro e paro.

“Eu refaço os meus planos
só para rimar com os seus”
diria a canção.

“Eu sou a flor silvestre que perfuma os campos”
diria o ladrão.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Um nó de gravata, um terno na cadeira, tingem nosso copo.
O teu copo vira nosso copo, o que tem de doce?
O guardanapo resvala, breves apresentações risíveis.
Aqui, ordem subversiva.
As pétalas do teu cravo no meu cabelo.

Vem sorriso, vem flor amarela, artista baiana e o cachorrão do amor.
Mais gelo? Sua esposa deseja mais champagne?
Cogumelo amassado na xicarazinha, Raphaela tem gengibre aqui?
Dois pares de chinelos e uma amiga.
No lavabo, casaquinho?

Quem não tomou café? A mãe da noiva tá chamando.
Estamos atrasadas. E lindas.
Madrinhas do noivo, à esquerda do padrinho, passo à direita pela frente, outro braço do padrinho e dois pra cá, dois pra lá. Sorria!
Braço tostado e emoção.

O buquê – vamos lá! Uma vez, duas vezes, não foi.
Sorvete de (muito) limão, montanha de doces.
Almofadas fofas, parnasianismo, confra(e)ternização.

Ih... vão lavar o chão. Vamos?

A Desconstrução do Ídolo - Volume II - Pocket

It's just being built. I promised you wouldn't wait long, not as much as I did.

De volta ao fim do caderno. À rede. Aos volumes sobre as últimas constatações quebradoras de pedestal.
Intenção da vez: pocket. Reflexão de bolso; do bolso que meu vestido nem tinha, mas que veio junto comigo, pendurada nas pétalas do cabelo.
Pois bem, ignorância, nas duas acepções da palavra. No início, era o óbito do verbo; naquele então, foi a ignorância. Fingir não ver, em plena luz do dia, e evitar mínimas investidas do escrupuloso respeito “tudo bem?”, fecharam a caixa, ataram o laço, enviaram para longe os cacos do altar, os pezinhos do pedestal e o pó que juntou embaixo.
As pessoas do mundo podem ser – e o são – tão comuns quanto eu e você, é imprescindível perceber. Admiramos, pois, o que julgamos escasso, o que desejaríamos ser ou, em estância mais umbiguesca, aquilo que assemelha-se a nós. Imprudência é exagerar e pensar que é exemplar único. Engano. Acontece que conhece-se menos do que se deveria. Cada vez mais encontro pessoas espetaculares em razão de procurar conhecê-las.
Desfocam-se os ranços, há mais luz onde antes pairava a sombra do ídolo. O que fica e os que chegam são a leveza que eu tanto esperava.