terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Citando e autocitando-se - deflagrando guerra
que mentir é uma arte.
Roxie Hart cantou
who said that murder is not an Art?
Humor feito o do Pato Donald, Eu digo
parei de teorizar sobre o amor.
Eu vou é fazer arte.
domingo, 13 de dezembro de 2009
Citando e autocitando-se - o início
danço na tessitura dos panos
fico farta disso tudo
tento, atiro e paro.
“Eu refaço os meus planos
só para rimar com os seus”
diria a canção.
“Eu sou a flor silvestre que perfuma os campos”
diria o ladrão.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
O teu copo vira nosso copo, o que tem de doce?
O guardanapo resvala, breves apresentações risíveis.
Aqui, ordem subversiva.
As pétalas do teu cravo no meu cabelo.
Vem sorriso, vem flor amarela, artista baiana e o cachorrão do amor.
Mais gelo? Sua esposa deseja mais champagne?
Cogumelo amassado na xicarazinha, Raphaela tem gengibre aqui?
Dois pares de chinelos e uma amiga.
No lavabo, casaquinho?
Quem não tomou café? A mãe da noiva tá chamando.
Estamos atrasadas. E lindas.
Madrinhas do noivo, à esquerda do padrinho, passo à direita pela frente, outro braço do padrinho e dois pra cá, dois pra lá. Sorria!
Braço tostado e emoção.
O buquê – vamos lá! Uma vez, duas vezes, não foi.
Sorvete de (muito) limão, montanha de doces.
Almofadas fofas, parnasianismo, confra(e)ternização.
Ih... vão lavar o chão. Vamos?
A Desconstrução do Ídolo - Volume II - Pocket
De volta ao fim do caderno. À rede. Aos volumes sobre as últimas constatações quebradoras de pedestal.
Intenção da vez: pocket. Reflexão de bolso; do bolso que meu vestido nem tinha, mas que veio junto comigo, pendurada nas pétalas do cabelo.
Pois bem, ignorância, nas duas acepções da palavra. No início, era o óbito do verbo; naquele então, foi a ignorância. Fingir não ver, em plena luz do dia, e evitar mínimas investidas do escrupuloso respeito “tudo bem?”, fecharam a caixa, ataram o laço, enviaram para longe os cacos do altar, os pezinhos do pedestal e o pó que juntou embaixo.
As pessoas do mundo podem ser – e o são – tão comuns quanto eu e você, é imprescindível perceber. Admiramos, pois, o que julgamos escasso, o que desejaríamos ser ou, em estância mais umbiguesca, aquilo que assemelha-se a nós. Imprudência é exagerar e pensar que é exemplar único. Engano. Acontece que conhece-se menos do que se deveria. Cada vez mais encontro pessoas espetaculares em razão de procurar conhecê-las.
Desfocam-se os ranços, há mais luz onde antes pairava a sombra do ídolo. O que fica e os que chegam são a leveza que eu tanto esperava.
domingo, 4 de outubro de 2009
A Desconstrução do Ídolo – Volume I
Sem culpa de querer mudar – culpa só de não poder mudar [ainda], minha ou não, não importa.
Os dois sonhadores – distintos irmãos mentalmente siameses – querem ir. Ela entre ali, logo lá ou embora mesmo. Ele, com ela, com ele, consigo. Mas urge – e ruge – a mesma sensação de não-mais-pertinência, contingência, convergência. Paciência.
- Derrubaram a casa. Logo vão construir como te falei. Vamos já? Ta, não já. Sejamos sócios no quando certo. Que tal?
- =D *-* sim.
Passam as horas, olha ali, - alô.
Não, eles não escrevem como, quanto, tão, onde nós. Ninguém está errado, mas Jack Nicholosonemos as coisas. Não, relativizar eu faço por conta. Falo de ceder, mesmo.
A animalidade, a ferocidade do humano em sua necessidade. É uma peninha de galinha isso. Eu relativizo, tu racionalizas, ele está ocupado. Mas interessado, não esquenta. Logo ele responde. Uma menina no ônibus urbano carregava flores. Obrigada pela rosa ano passado, mesmo!!
Ele compreende isto tudo, enquanto pergunta-se quais esferas deve-se re(v)le(l)var – ou ela. Os dois confundem-se nessa heterogeneidade emocional. O consenso chega muitas vezes – a felicidade de pagar apenas o primeiro minuto – em meias manhãs, meias-noites e telepatias avulsas. A síntese ecoa, posto que admitem-se o suprasumo da prolixidade. In addiction, cobrem-se de orgulho de sua atemporalidade.
Não passam as horas. Engolida pela manhã regurgitada à noite, a teoria da complexidade das unidades fraseológicas, ou algo que o valha, tratam de opacizar os minutos tão caro pagos. A redenção fica por conta da “contaminação pelo oposto dialético” de terça. Obrigada, Antônio Cândido, eu te amo.
Ainda temos dúvidas sobre escrever ou não, mas a desconstrução do ídolo vem como uma boa rajada de razão. Este carinho atrofiado pela distância há de desembocar em algo bom, preferencialmente profundo e irremediavelmente leve. Para dois, por favor, com todo o açúcar.
-Isto é produtividade na aula de Semântica, leitores.
domingo, 20 de setembro de 2009
Agitar a brasa nas cinzas e ver cessar, como o efeito da máquina. Soprar as nuvens com a fumaça; ver as estrelas sem óculos. Lusco fusco highly sobriamente stoned. Ver feições nas nuvens, e mulheres de finos chapéus. O gosto daquilo tudo impregnado. E entre os dedos. Agitar-se toda à porta, rir. Ninguém vai saber, eternizar. Por isso escrever.
sábado, 5 de setembro de 2009
Os bonecos de Alice eram grandes para seus braços, pequenos para as mãos de seu pai e equivalentes ao volume que o velho trazia nas mãos. “Palavras de Sabedoria”. Micro dizeres que detinham seus olhos por alguns segundos e abençoavam aquela fronte enrugada por segundos outros, perdidos no horizonte ou na lajota da cozinha.
Agora, Alice gigante; os volumes que entulha são maiores, mais fáceis de segurar e percorrer do que o ínfimo livreto, fugido em suas mãozinhas quando da ausência do pai.
Em meio à pressão do mundo, sobre linhas inexoráveis anda incessantemente, apenas o luxo furtivo de abrir seus livros ao acaso colorem dias cinzentos de teorias e escritos maquinais.
Abre o “Isto és Tu”:
“Seja a judaica ou a cristã, nossas religiões frisaram com demasiada intensidade o aspecto estritamente histórico, de modo que acabamos por estar, por assim dizer, cultuando o acontecimento histórico, em vez de sermos capazes de ler através daquele evento histórico a mensagem espiritual para nós mesmos. As pessoas se voltam para a religião oriental porque nesta descobrem a mensagem real que tem sido mantida inacessível pelo literalismo e historicismo excessivos em suas próprias religiões, e que, agora, lhes é franqueado novamente.” (p. 127; quererá mesmo aquela do “Onde tropeças, é aí que encontras o ou(t)ro” [intromissão a lápis - sempre]
Abre “O Livro de Mórmon”:
“ [...] o rei enviado essa proclamação, Aarão e seus irmãos foram de cidade em cidade, de uma casa de adoração a outra, organizando igrejas e consagrando sacerdotes e mestres entre os lamanitas, por toda a terra, a fim de pregarem e ensinarem a palavra de Deus entre eles; e assim começaram a lograr muito êxito.” (Alma 23:4) [Lograr – Semânticamente, Alice ri)
Abre “A Arte da Prudência”:
“CXL
Topar logo com o que é bom em cada coisa. É ventura do bom gosto. A abelha vai sem tardança à doçura para criar o favo, e a víbora à amargura, para o veneno. Assim nos gostos, uns vão ao melhor e outros ao pior. Não há coisa que não tenha algo de bom, ainda mais se é livro, pelo que foi pensado. É, pois, tão enxabido o gênio de alguns, que entre mil perfeições toparão com um só defeito que houver, e esse censurarão e alardearão: recolhedores das imundices de vontade e de entendimento, cumulam censuras e defeitos, o que é mais castigo por sua desestima que emprego de sua sutileza. Passam mal a vida, pois estão sempre a cevar-se de amarguras, e servem-lhes de pasto as imperfeições. Mais feliz é o gosto de outros que, entre mil defeitos, toparão logo com uma única perfeição, caída ao acaso.” (p. 94)
O velho estava certo.
Alice volta ao prosaico.
Fecha aspas.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
A mãe de George rumina quaisquer coisas do quarto. Mas o que há de tão mau nas luzes ligadas? Dígitos: 23:39.
Um velho gesticulando a hermenêutica entre dois doutores, equacionando subjetividades, engessando em linhas cruzadas a linda literatura escolhida da vez.
O passo tardo do relógio, o ruído da esfriadeira e a bolha de ar que escala a faringe; os sons da vida de George, minuto a minuto, em meio àquele engasgo:
O café no leite, o abacaxi na sacola. Através da mesa, as fibras da mãe no vidro do café que virou felicidade.
O engasgo volta. Se pudesse tossir as idéias, livrar-se delas e dormir, as coisas seriam ligeiramente mais justas.
Respondeu a perguntas arbitrárias, obviamente íntimas, maldições tácitas sobre hábitos noturnos, conhecimentos enciclopédicos e por que raios estava aéreo.
A noite estava lá; lástima ver o céu de óculos.
Dias atrás, a esquizofrenia social era tópico, a crise de identidade era a escavadeira da vez; palavras, muitas, engolidas, cabeças assentindo e, na boca da mente, o engasgo. Quem destes todos é George?
Dígitos: 23:47.
Ou a idéia está procurando os peixes do fundo ou os ruídos estão abrandando mesmo.
Os papéis esperam quietos por dias, as luvas também.
George admite, publicamente, não saber quais dos eus é o seu, mas que sente-se bem em um lugar exclusivamente. Quando não lá, com quens. Não rodam vinte e quatro horas, contradiz-se passivamente. Contradizem-no por si.
Uma fungada funda (?), uma olhada pela janela, e é realmente uma lástima não poder ver o céu sem óculos.
Pesos e medidas ou peso e leveza?
Para eles, George é um deles. Para todos eles. Apenas George não sabe, nem disto.
Abraça os próprios braços. Dígitos: 23:51.
A cama espera, a mãe, a xícara espera, o calor não. Um botão, e o velho das mãozinhas cala a boca. A solução de que precisava! Mas passou, e para o que ainda vem?
Ponteiros param sem pilhas. Mãe.
O pulmão para e segura, George precisa saber a que(m) pertence?
Dorme, as palavras descobertas sobre a mesa vão esperar o botão para a desordem. Dormem.
Se George não precisa saber nem pertencer nem.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
The imaginary guepard, the leopard print and the crazy kitten smile.
Maldito tom confessional.
Passam pelas beiradas dos óculos, como que pontos cegos de um carro, vultos, luzes, movimentos, manchas, jogos da velha. No zapear do rádio, manhã dessas: the imaginary guepard. Isso, sim, seria algo bom de ver assustar pelos lados dos olhos.
Ainda ruminando sobre a aula, boa de fato, o dizer: the leopard print, como um dress code sobre acompanhantes da era Vitoriana, fizeram a viagem de volta e o vulto surto surdo de the imaginary guepard soarem sutilmente engraçados. Análogos, em meus pleonasmos nonsense intermináveis.
Murcha lembrar das mãos que inspiraram, em cartas póstumas em guardanapos de papel, escrever por entre dedos desenhados, trecho de milonga gostada em mão dupla: your crazy kitten smile.
Hunting with no guns - a consciência que pisa enquanto os miolos mexem pelos declives do asfalto, ainda assim deita-se entre meus fones de ouvido.
sábado, 25 de julho de 2009
Enquanto o braço amarra a cintura dela,
eu digo que não, eu digo que nada,
e deixo pra lá,
continua essa minha mão preguiçosa,
perdida nas finuras que toco,
enganando este peito oco que definha.
Mares nos olhos, o sorriso afugenta
essa criação loucassolitária,
mera imaginice fulana
nos dias em que tu teimas em voltar.
Zapeio canais,
desejo inatingíveis
no singelo propósito de falhar
e voltar.
Voltar para o nada que tenho,
que não ao certo tive.
Mais desgostoso inalcançável
é o que escorreu pelos dedos,
pelos quilômetros.
Saco.