segunda-feira, 2 de novembro de 2009
A Desconstrução do Ídolo - Volume II - Pocket
De volta ao fim do caderno. À rede. Aos volumes sobre as últimas constatações quebradoras de pedestal.
Intenção da vez: pocket. Reflexão de bolso; do bolso que meu vestido nem tinha, mas que veio junto comigo, pendurada nas pétalas do cabelo.
Pois bem, ignorância, nas duas acepções da palavra. No início, era o óbito do verbo; naquele então, foi a ignorância. Fingir não ver, em plena luz do dia, e evitar mínimas investidas do escrupuloso respeito “tudo bem?”, fecharam a caixa, ataram o laço, enviaram para longe os cacos do altar, os pezinhos do pedestal e o pó que juntou embaixo.
As pessoas do mundo podem ser – e o são – tão comuns quanto eu e você, é imprescindível perceber. Admiramos, pois, o que julgamos escasso, o que desejaríamos ser ou, em estância mais umbiguesca, aquilo que assemelha-se a nós. Imprudência é exagerar e pensar que é exemplar único. Engano. Acontece que conhece-se menos do que se deveria. Cada vez mais encontro pessoas espetaculares em razão de procurar conhecê-las.
Desfocam-se os ranços, há mais luz onde antes pairava a sombra do ídolo. O que fica e os que chegam são a leveza que eu tanto esperava.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
A mãe de George rumina quaisquer coisas do quarto. Mas o que há de tão mau nas luzes ligadas? Dígitos: 23:39.
Um velho gesticulando a hermenêutica entre dois doutores, equacionando subjetividades, engessando em linhas cruzadas a linda literatura escolhida da vez.
O passo tardo do relógio, o ruído da esfriadeira e a bolha de ar que escala a faringe; os sons da vida de George, minuto a minuto, em meio àquele engasgo:
O café no leite, o abacaxi na sacola. Através da mesa, as fibras da mãe no vidro do café que virou felicidade.
O engasgo volta. Se pudesse tossir as idéias, livrar-se delas e dormir, as coisas seriam ligeiramente mais justas.
Respondeu a perguntas arbitrárias, obviamente íntimas, maldições tácitas sobre hábitos noturnos, conhecimentos enciclopédicos e por que raios estava aéreo.
A noite estava lá; lástima ver o céu de óculos.
Dias atrás, a esquizofrenia social era tópico, a crise de identidade era a escavadeira da vez; palavras, muitas, engolidas, cabeças assentindo e, na boca da mente, o engasgo. Quem destes todos é George?
Dígitos: 23:47.
Ou a idéia está procurando os peixes do fundo ou os ruídos estão abrandando mesmo.
Os papéis esperam quietos por dias, as luvas também.
George admite, publicamente, não saber quais dos eus é o seu, mas que sente-se bem em um lugar exclusivamente. Quando não lá, com quens. Não rodam vinte e quatro horas, contradiz-se passivamente. Contradizem-no por si.
Uma fungada funda (?), uma olhada pela janela, e é realmente uma lástima não poder ver o céu sem óculos.
Pesos e medidas ou peso e leveza?
Para eles, George é um deles. Para todos eles. Apenas George não sabe, nem disto.
Abraça os próprios braços. Dígitos: 23:51.
A cama espera, a mãe, a xícara espera, o calor não. Um botão, e o velho das mãozinhas cala a boca. A solução de que precisava! Mas passou, e para o que ainda vem?
Ponteiros param sem pilhas. Mãe.
O pulmão para e segura, George precisa saber a que(m) pertence?
Dorme, as palavras descobertas sobre a mesa vão esperar o botão para a desordem. Dormem.
Se George não precisa saber nem pertencer nem.